Leeds
Uma das coisas que mais faço no UK é abancar em Starbucks e similares. O ambiente é super confortável quase como se estivéssemos na nossa sala de estar e puxa pela preguiça, pela conversa e pela leitura...
Foi num Starbucks bem sossegado em St. Paul's Street que comecei o dia em Leeds, tomando o pequeno-almoço bem devagar e descobrindo músicas novas no rádio...
Seguindo essa rua até ao fim chega-se logo a
Park Square, que espalha pelo ar o encantador cheiro fresco de rosas, mas eu tinha seguido em sentido contrário até aos
Leeds City Markets e dado uma volta enorme, mas fui lá dar nem tanto olhando para o mapa mas mais indo atrás do cheiro dos roseirais.
Liverpool
Liverpool tem, sem dúvida, um ar soturno. Talvez no desespero de compensar um ambiente tão pesado (que se sente particularmente nas zonas periféricas), a noite lá é muito à frente (em demasia até)...
Bond Street e ruas circundantes são ruas de lojinhas e cafés sossegados durante o dia, transformando-se à noite em monumental party zone. Aí estão os típicos
clubs que tentam transmitir estilo e sofisticação mas as pessoas que os frequentam são tão exageradas (talvez a palavra certa seja descontroladas) que criam um ambiente plástico e inevitavelmente decadente.
Um pouco mais acima, em Hardman Street, há mais uma catrefada de bares mas aí o ambiente é mais catita e multicultural, com boa música, nomeadamente no popular Bumper e no retro Magnet. Imperdível mesmo, por motivos óbvios, é The Cavern que mantém o espírito e a animação do tempo dos Beatles.
Houve que dormir durante a manhã para recuperar de uma noite inteira a pé, cof cof ;) mas durante a tarde deu para percorrer o coração de Liverpool.
Em caminho, passámos pelo Café Porto em Rodney Street para uns bolinhos de bacalhau e jogar dominó.
As muitas zonas comerciais e população exageramente consumista (toda a gente se passeava com muitos e grandes sacos de compras) deixam a imagem de uma identidade descaracterizada e reflecte sem dúvida a sensação com que ficara na noite anterior: estas pessoas querem ser diferentes do que são.
A zona à beira do porto está em recuperação mas se furarmos pelas obras até Albert Dock vale a pena, quanto mais não seja para espreitar a Tate Liverpool.
Mais para dentro, se contornarmos a sul a zona da Baixa e formos por Duke Street, vamos dar a The Nook, a Chinatown de Liverpool onde as placas com o nome das ruas ostentam também o nome escrito em chinês.
York
Passar uns dias em York sabe sempre bem. Dá para estar com a Joana com mais tempo, que me vai mostrando como se vive em Inglaterra e coisas que vale a pena conhecer (como, por exemplo, rhubard pie, nham nham)...
A terriola é-me já familiar e essa sensação é boa. Não tenho tempo/pachorra para ir às compras no lufa-lufa do dia-a-dia, aproveitei para comprar um par de sapatos que precisava para o Inverno, vasculhar os saldos de filmes e música e investigar as lojinhas originais em Fossgate.
Além disso, há o tradicional périplo pela Betty’s, pelo City Screen e pelo Starbucks na esquina de Stonegate com Petergate para pôr a leitura em dia, ouvir boa música e dar-me ao luxo de ser gulosa ;)
Para não ir ter com a Joana a rebolar, estico as pernas pelo quadrado composto por St. Helen’s Square, Davygate, Parliament e High Ousegate onde os
Blackbearded Tea Party costumam estar a tocar.
EdimburgoUm dia vou distrair-me e desatar a pular carruagem abaixo ao som do que estou a ouvir... Foi o que ia acontecendo com Doismileoito a caminho de Edimburgo.
A viagem para Edimburgo dura duas horas e tal. Serve para ler o jornal, ouvir música e mirar pela janela. E ao mirar pela janela vamos reparando na imponente catedral de Durham, nas pontes de Newcastle, no tipo à pesca num pequeno lago, no reformado que aproveita a manhã ensolarada para dar um passeio com o seu cão pelo campo, nas resmas de mecas pintalgando as colinas verdes. E assim a viagem longa faz-se num instante.
Desde que entrei no comboio (carago, desde até que comprei o bilhete), fiquei com aquele sorriso estou-estupidamente-feliz-e-não-dá-para-disfarçar.
Edimburgo faz parte de mim. Com sol, com vento, com chuva, com gaitas de foles, sem gaitas de foles, com frio, com obras.
Este ano a máquina fotográfica aguentou a emoção* de sair constantemente do bolso à medida que íamos percorrendo ruas de sempre e novos caminhos.
* recordo que no ano passado a máquina pifou à segunda fotografia
Scarborough
Pelo menos uma vez por ano, tenho de ir à praia nem que seja só para pisar a areia e deixar-me ensurdecer
(mais ainda!) pelo barulho do mar.
Desci para South Bay, cruzando-me na marginal com muita gente passeando com os seus quatro patas. Às vezes não percebo o inglês aqui por causa do sotaque mas linguagem canina é universal.
Ao passar por um casal acompanhado de um pastor alemão e um caniche (que dupla, hã?), o pastor alemão grudou o focinho às minhas mãos porque eu tinha acabado de comer uma sandocha de peru assado, mas o senhor acautelou-me: “Careful! The small one is a killer!"
Desatei-me a rir, respondi que sabia exactamente o que queria dizer e lá ficámos um bocado a falar de cães e a contar histórias.
WhitbyO autocarro para Whitby é da Coastliner, que faz o serviço de carreira regional por montes e vales – literalmente – num double decker urbano.
Ao fim de duas horas e meia encolhida no banco, saí finalmente no largo da estação de comboios, onde também é a paragem dos autocarros.
Estava completamente empenada e enfriorada porque 14º para os ingleses é tempo quente e há que abrir todas as janelas do autocarro para entrar ar...
Meti pelo primeiro beco (bem castiço, diga-se, com
casas da largura dos vasos aprimorados que as enfeitavam) para Baxtergate à procura de um café para ver se me recompunha e nem foi preciso procurar muito. Ainda ia pelo beco quando reparo numa tabuleta onde se lia em letras grandes “
TIFFIN – FULL ENGLISH BREAKFAST SERVED ALL DAY”. Em dez minutos fiquei pronta para calcorrear Whitby.
Goathland
Voltando ao serviço da Coastliner, há que destacar os percursos estabelecidos. Ao contrário do habitual, a Coastliner não pára só em sítios que fiquem em caminho. Muito pelo contrário, sai frequentemente da estrada principal e faz desvios de duas ou três milhas para passar em paragens para lá de nenhures.
É assim que se descobre Goathland, saindo da estrada principal que atravessa os Moors e metendo por uma estrada assinalada logo à entrada como
caminho de ovelhas e descendo o vale todo até ao fundo.
Na minha humilde opinião, Goathland podia perfeitamente mudar o nome para Sheephland pois há lãzudas por toda a parte.
City Screen

Um tipo com ar de quem acabou de acordar dá uma volta pelo café bar do City Screen entornando pelo caminho um pouco do que levava na chávena. Por fim, senta-se a uma mesa e tira um caderno e uma caneta.
Minutos antes fizera eu um percurso semelhante em direcção a um sofá ensolarado.
Sempre que venho ao City Screen dou por mim a pensar em como gostaria de saber desenhar, para conseguir mostrar devidamente todos os ângulos e pormenores que me cativam neste sítio: os quadros na parede de tijolo, o tecto desigual de madeira e cimento, as vidraças que deixam entrar muita luz e calor, as diferentes pessoas que frequentam este espaço.
Berwick-upon-Tweed
“O que é que viemos aqui fazer mesmo?” Perguntou a Joana. "Viemos ver o mar e ver se isto pertence à Escócia ou a Inglaterra..."
Uma rápida consulta (mais tarde) na Wikipedia confirmou que pertence a Inglaterra mas chegamos a Berwick e sentimo-nos na Escócia, desde a primeira pessoa com quem falamos no estação... Os homens usam kilts, ouvem-se gaitas de foles e encontramos
cardos. Oficialmente, a Escócia começa logo ali a seguir ao campo de golfe que acompanha a praia.
De qualquer forma, qualquer pretexto serve para aproveitar um dia de sol e lá seguimos pelas muralhas, ora acompanhando o rio Tweed ora ao longo do mar.